"Vão obrigar-me a viver Momo. É o que fazem sempre no hospital, têm leis para isso. Não quero viver mais do que o necessário e já não é necessário. Há um limite, até para os judeus. Vão submeter-me a sevícias para me impedir de morrer.(...) Sei que estou a perder a cabeça e não quero viver em coma para honrar a medicina". Romain Gary, do livro: Uma vida á sua frente.
sábado, 25 de agosto de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sinónimos estranhos
Ultimamente tenho trabalhado ao fim de semana, manhãs, e têm de facto sido turnos bastante animados. Ainda me consigo surpreender com a sabedoria popular das clientes, rica e única em sinónimos e neologismos que nada têm que ver com o novo acordo ortográfico. De entre as sábias definições que vou escutando e aprendendo ao longo desta vida, a palavra com mais sinónimos é "vagina". A saber; "boca do corpo", "serventia da casa", a "perseguida", a "crica", a "joana", a "margarida", a "prima", a "pachacha" e a "berjoana" (deve ser a joana com algum borboto derivado da idade). Este leque cultural enriquece-me e simultaneamente dá um certo orgulho, pois duvido que existam tantos sinónimos noutras línguas (e muito mais existem, mas de cariz pouco apropriado para serem aqui escritos).
Em segundo lugar neste top de lugares comuns, vêm a definição de fezes. E já ouvi de tudo. A saber: "cocó", "ventos com farrapos", "trovoada com bolinhas", "caganitas de coelho" e "caganitas como os cães". Há qualquer coisa de idílico em recordar sempre que somos acima de tudo animais, e animais que diferem dos outros animais porque conseguem descrever as suas fezes comparando-as com outros, coisa por exemplo impossível para a minha gata, que já agora, tem fezes parecidas com as caganitas....de uma gata.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
o decorrer normal dos tempos
Na 2af feira fiz noite. Acho que foi nesse período de reflexão noturna que me lembrei de muitas coisas, algumas das quais vou fazer o obséquio de aqui colocar. No fundo, passei algum tempo a comparar o antes e o agora, enquanto revia o telefilme: "a loja em casa", que é uma espécie de filme que nos lembra que ainda faltam mais de 3h para sairmos do turno e que já não há mais pão para torrar. Foi então, enquanto assistia ao referido telefilme, que me fui lembrando de outras épocas, não muito distantes, mas em si mesmas, diferentes. Por exemplo, lembrei-me que a lista era de 4 utentes por dia, que entravam na véspera, que faziam x-prep, e que não era necessário puncionar para colheitas. Lembrei-me também que a visita era passada nos quartos, com calma, naquela; os banhos eram parcialmente na cama, com recurso a umas pinças feiosas e umas bolinhas de algodão, muito íntimas...E existia um período sagrado, a partir das 14h30 e até ás 16h, em que a micose ficava ao rubro. Xiça, as coisas mudaram mesmo. Agora são 4 cirurgias por hora, colheitas, entradas, levantes, pensos, vai buscar, vai levar, faz plano, cumpre plano, come á pressa...até a última gota de suor cair no relógio de pulso e anunciar que são horas de passar...e eu sinto-me como se fosse uma camisola espremida até ao último minuto.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Um dia do caraças
Serve o presente texto para me consolar a tola pois que hoje estou com a chamada "taulada", doença benigna de que padece, e cujos achaques são pouco frequentes, felizmente. Os fatores de risco (cumulativos) para esta doença são: uma noite de sono pouco tranquilo e pequena, um serviço cheio, mas mesmo cheio, um almoço salgado, uma bainha das calças que se desfaz no início da labuta, e uma passagem de turno aos bochechos, sempre com telefone a tocar e uma comunicação pouco eficiente. Ele há dias do catano mesmo! Vim para casa possuída por algum demónio que o professor bambo não resolveu. Valeram uns ferreros que se comeram, aos 4 de uma vez que é mais prático, mastiga-se logo tudo e a subida da insulina dá logo um prazer imediato. Hoje senti-me diferente. Criticamente diferente. E não gostei.domingo, 4 de dezembro de 2011
A aventura do armazém avançado
Pois é, foi desta. Fomos contemplados finalmente com a concretização do projeto "armazém avançado". Mas atenção, porque o nome é...digamos...um bocadinho enganoso. Assim á primeira audição, parece uma sala onde entramos e a luz se liga automaticamente; onde temos indicação para colocar a íris e fazemos login automaticamente, e onde simplesmente dizemos o nome do artigo que desejamos, e o armário se abre automaticamente; um robô com tecnologia de ponta retira o artigo da gaveta, entrega-nos em mão, e ainda nos diz o prazo de validade do mesmo. Bom, foi mais ou menos isto que eu idealizei quando fiquei a saber que iríamos dispor do armazém avançado. A realidade contudo é um pouco diferente. A luz não se liga automaticamente, temos de fazer login iniciando o computador e depois entrando no programa, temos de abrir as portas do armário (embora recente, já com portas perras), procurar o artigo, subir por vezes ao escadote, buscar o artigo, pegar no leitor ótico, fazer a leitura do código de barras, enter aqui, enter ali, sair do programa, sair da sala e apagar a luz. No sábado fiz tudo isto por um prolongador com torneira. the land of the crikes
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
boletim informativo
Caros leitores (ainda que poucos), informo que este blog passará a ser privado e restrito apenas a determinadas pessoas. Aproveito também para informar que de momento desativei a minha conta no facebook e sei que vão ter saudades minhas na página da ginecolandia mas tomei esta decisão de vontade própria e não coagida por certos e últimos acontecimentos. De todo o modo, as minhas crónicas continuarão a ser publicadas aqui no blog, para já a única ferramenta que disponho e que quero dispor.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
mamas M precisam-se...

Gostaria de saber o motivo pelo qual apenas existem soutiens do tamanho M lá na cena do nosso serrviço. Não tenho ideia acerca de quem terá adquirido todos os soutiens, que devo salientar, são bons e muito úteis na recuperação da cirurgia mamária; agora, não posso permitir que considerem que todas as mulheres têm mamas de tamanho M. Para já, sempre que eu compro um soutien, nunca me perguntam se quero S ou M, tenho sempre que dizer um número (só não percebo quando me perguntam qual é a copa, que eu só conheço a da maternidade e essa é muito pequena, a modos que digo que é uma copa normal, seja o que isso for, que tb já não me lembro de comprar soutiens); pois bem, se no mercado da lingerie não falamos em tamanhos S, M e L, porque razão lá no serviço tem de ser assim? e já agora, alguém poderia fazer as correspondências de tamanhos, e ficar lá tipo um quadro como >30 e < 36 =S e por aí fora; assim não me iria enganar a aplicar um soutien, como hoje aconteceu: deito uma senhora e na melhor das minhas intenções e respeito por as mamas que me calharam hoje, vou buscar um soutien á gaveta, vasculhando e procurando o que está melhor e tendo em atenção se é mesmo um M (sim, não vá trazer o M trocado, que lá só existem M´s) e voilá! encontro um super soutien tamanho M e penso: este deve servir! Prossigo. Chego junto da senhora, ora vamos lá e tal colocar aqui um soutien (creio que não percebeu nada do que lhe ía fazer pois o propofol ainda passeava nos olhos dela), e vira daqui, e vira dali, e passa os soros (sim, tinha 2, um de tramal e outro de IG) e passa a camisa e veste, e enfia o braço errado da camisa, e despe outra vez e passa os soros e volta a enfiar e pronto: lá está a senhora, em decúbito dorsal com as pontas do soutien prontas para serem apertadas. Chiça... que cena marada... tanta força a puxar, e os colchetes a escorregar, e eu a puxar as mamas para cima e para o meio e para cima e para o meio, e lá apertei, já a escorrer suor pelas suissas. Olho para a senhora e reparo numa coisa que me assusta: desapareceu-lhe o pescoço. No lugar do pescoço existia um rego do tamanho do mundo, e os mamilos curiosos a espreitar quase de fora do soutien. Não me dei por vencida e ainda fui tentar descer um pouco as mamocas, mas antes que o fizesse reparei que ainda havia uma parte da mama a espreitar pelo elástico inferior (e ele é bem largo...). Fiz o melhor que pude. A senhora colaborou muito, e o propofol ajudou á festa, mas ás vezes, por muito boa vontade que haja de todas as partes, não se fazem milagres. E eu não sei quem é que acha que todas as mulheres têm mamas de tamanho M, porque em 10 anos de serviço, constato que ou se tem mamas pequeninas, ou então toda a gente tem mamas grandes. Ainda bem que não fornecemos cuecas.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
quando o material não ajuda

Estamos a passar por tempos difíceis. Concluo mesmo isto. Estamos a passar dificuldades de cariz técnico-material. Resumindo, estamos no cúmulo da merdice material. Então não é que entro na minha sala muito convicta de que a temperatura das minhas ladies é a coisa mais importante do mundo, faço um gesto acrobático para colocar o termómetro nas senhoras operadas, porque a camisa traça atrás, e é preciso levantar o braço e depois afinal a axila é mais acima; mas lá consigo colocar o dito cujo, depois de me ter confirmado que ele está ligado. Faço isto a todas com um orgulho que ainda não foi ferido. Pouco depois começo a ouvir os apitos e lá vou eu! toda contente, afinal isto foi mesmo rápido, isto é que é adiantar trabalho, sempre a rolar, vamos nessa. Tiro o primeiro termómetro: pum...mal se vêm os digitos. Consigo decifrar um 3, pelo que deve ser trinta e picos, mas isso não me ajuda nada. Digo: bom, temos de colocar outro, este não está muito bom. Passo para a próxima: o apito já se ouviu alto e bom som, pego no termómetro e afinal os números ainda estão a piscar. fico na dúvida se afinal já está ou não. Seguindo, retiro o terceiro termómetro, nada, nicles, está apagado. Lá tenho de dizer novamente: bom, temos de colocar outro, este não está muito bom. As utentes já me começam a olhar de lado..."mau, esta aqui não sabe é por termómetros; atão que é impossível tar tudo avariado" e eu começo a pensar no que as mulheres devem estar a pensar e o meu orgulho vai para as unhas dos pés, que são das poucas que ainda não sabem o que é um verniz. E sigo, cabisbaixa, para tirar o quarto termómetro e...zás! a senhora não sabe dele; levanta os braços e ele cai no chão. se acaso funcionava, depois de cair é certo que ficou mudo. Pego nele e claro, não tem nada. Volto para trás, desinfecto mais uns quantos e passo á 2ª ronda. Se me ficar só por aqui, é uma sorte.
no final desta saga, lá vou desinfectar os termómetros que é caso para dizer que estão uma merda e que os de mercúrio é que era. Afinal, demoro o mesmo tempo mais tenho de por muito mais vezes.
Depois de finalmente conseguir monitorizar as temperaturas todas, novo episódio terceiro mundista: ver TA. Pego no autocarro azul, coxo agora, parece que passou por cima de uma mina, faz um barulho de um carro de mão com 50 anos. Chego junto da senhora e tal, e vamos ver a TA e ela olha para aquele aparelho de aspecto XPTO e pensa: "cenas, isto aqui é muito á frente". começa a insuflar a braçadeira e...PIIIIIIIIIIIIIIIIIII, até eu desligar o dito cujo. Lá se foi a bateria. Tem autonomia de 10 segundos. Grande máquina hã? Procuro desesperadamente um tomada, e por azar, é do outro lado da cama. Penso: vou buscar o pequeno, é mais perto. E lá vou, com o mini cooper, que também está coxo, mas afinal descubro que tem é duas rodas travadas e destravo. fica fino. volto a colocar a braçadeira; e insufla, insufla, insufla, e no fim aparecem-me uns - - - - e eu perco a cabeça! e penso para mim: "ráis parta esta merda toda deste material que não presta", respiro fundo, e vou buscar outro, que há-de estar na última sala que eu procurar. Entretanto, hei-de bater na alavanca de alguma cama e ficar a coxear também. E é a gota de água.
The land of the crikes.
Já não escrevo textos com a regularidade que o serviço e os leitores merecem. A modos que o facebook também veio encolher este método mais antigo de leitura, permitindo-nos postar na hora, receber comentários na hora ou colocar um simples "gosto" com um pequeno clique do rato. A evolução tem destas coisas e o ser humano tem estes desejos, de ser tudo na hora, de querer aceder a tudo na hora, de não ter paciência para ler textos longos, de ficar com os cabelos em pé se a ligação á net demora um pouco mais...assim nos vamos tornando. eu incluída. A modos que me vou descuidando com este blog e prevejo a crónica de uma morte anunciada.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Quando o stress era uma virtude... i.e, uma adaptação!
A postagem que se segue contém cenas e ideias capazes de confundir ou de deixar perplexo, indiferente qualquer leitor... Até eu estou baralhada... Ai, as noites...
Esta sou eu... Num momento de introspecção psicanalítica, há muito recomendado. Achei que hoje era o momento ideal para analisar-me. Sim, a esta hora.Sim, porque são 2h00 da manhã e estou com insónias, para variar ;-) Dizem que a noite é inspiradora, veremos...
Esta sou eu... Num momento de introspecção psicanalítica, há muito recomendado. Achei que hoje era o momento ideal para analisar-me. Sim, a esta hora.Sim, porque são 2h00 da manhã e estou com insónias, para variar ;-) Dizem que a noite é inspiradora, veremos... Bem, voltando ao assunto que me trouxe aqui: estava eu na cama a olhar para o balão e dei por mim a pensar na minha taquicardia.
Alguns de vós ao olhar mais atentamente para a minha foto, poderão dizer que até parece que estou em transe... Informo desde já que os comprimidos na mesinha de cabeceira não são meus (aliás não existem), que nunca durmo sem um bom pijama e que o balão é uma forma de dizer!
Retomando o fio à meada... Após algumas divagações e posteriores pesquisas na net (sim porque a insónia dá ideias destas), eis que chego ao seguinte gráfico da minha introspecção behavioriana/comportamental:
Deixo qui o link porque aquilo tem tantos sintomas associados que preferi poupar as almas mais hipocondriacas.
Resumindo, e fazendo um "fio de back" para comigo mesma, parti de um simples pensamento sobre a minha frequência cardíaca equina, para os meus neurónios fazerem associação com ansiedade. Uau, I´m so smart ;-)). A net depois fez o resto ;-)): da ansiedade para o stress, do stress para o serviço e... não posso... como se isto não bastasse agora também está em causa meu desempenho???
Auto-analisando-me no gráfico, vou ser modesta: acho que estou após o picotado em risco de queda para a direita (no gráfico claro e não fisicamente ou CipeSapemente falando), estou na fase de pré-desintegração (LOL)?!
Que palavra... Adorei esta palavra: "desintegração"... Bem melhor que desadaptada!!! Ainda bem que tive insónias. Desadaptada rima com antiquada, e não estou assim tão velha... Com isto, até parece que minha FC baixou um pouco. Realmente, já devia ter feito este trabalho psicomarado há mais tempo...
Ah, afinal estou para ser "desintegrada"! E eu que sempre adorei química, parece que esta palavra vem mesmo a calhar! Desintegração, moléculas, raios laser,... Gostei.
Também parece uma cena de ficção científica do tipo "Regresso ao futuro" onde depois as personagens regressam ao passado.... Pois, regressam ao passado no fim, ou estarei a baralhar-me? Hum, isto, dá-me muito que pensar... Mas acho que fica para amanhã...
E com isto, fiquei com mais um dilema: para quando a minha desintegração? Será que está nas previsões do Borda d´Água? Ai Tempo... e a minha FC.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
constatações...

Por dificuldades técnicas venho informar os colegas que estou a sofrer de falta de inspiração para escrever aqui no blog. Parece que se me faltam situações...creio que de momento sou apenas um termo cipe, sem juízo, sem localização anatómica e com risco de queimadura neuronal em grau elevado. As manhãs fizeram-me apaixonar pelo meu sofá. Estou cega de amor, de tal modo que quando saio tenho logo de me esticar na sua superfície para meditar na oportunidade de sono. Depois cozinha-se e enfarda-se. Logo a seguir apaixono-me novamente pelo sofá. Leio cerca de 1/2 página e sinto um peso nas pálpebras que torna a minha atenção ineficaz e a minha vigília comprometida. A modos que pouco depois já estou a dormir. É a vida. A minha.
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Querido Pai Natal

Este ano está quase a acabar como sabes, e também sabes que no dia 24 fazes noite e nem penses em trocar porque não há mais ninguém para fazer essa noite, pelo menos da maneira como tu fazes. Nós por cá passámos mais um ano e é chegado o momento de te escrever a carta para ver se não te esqueces aqui do people da ginecolândia. Pensei associar-me á worten no slogan publicitário que salvou uma senhora de se afogar na piscina, mas depois pensei: este é dos slogans mais fuleiros que alguma vez vi, e a modos que desisti. Fiquemos pela simples carta. E deves pensar seriamente em criar um facebook que tem sempre vantagem. No dia do teu aniversário por exemplo, terás 500mil pessoas a desejar-te os parabéns, no mínimo, mesmo que não saibas muito bem quem são. Pensa nisso. E já agora, se precisares de renas, vem até cá baixo que tenho privado com algumas na tv, aqueles que estão sempre a falar do orçamento de estado e de cenas assim, maradas. eu também precisava aqui de um orçamento para remodelar a minha cozinha, mas aquilo parece tão complicado...é acordos que dão desacordos, é o FMI, é a dívida externa...vê lá tu! eu também tenho dívida externa, aliás, que eu saiba não devo nada a mim própria, internamente...agora dívida externa...ufa! só aquelas cartas que dizem CGD e vêm de lisboa todos os meses são mesmo lixadas de se ler. Dá-se o couro e o cabelo e os gajos reduzem 1 euro na dívida? Não há direito.
Talvez não te recordes da carta do ano anterior, para ser sincera, eu própria também já não me lembro muito bem, mas adiante. Muitas coisas aconteceram este ano: mudanças na capitania, crise no governo, extra-crise nos bolsos, aumento do consumo de ansiolíticos (eu contribuo para isso), acreditações em que ninguém acredita, sapos e cipe´s a bombar, e também tive uma micose no dedo do pé, o mais pequenino, aquele que tenho sempre dificuldade em cortar a unha porque o corta-unhas é tão grande que mais parece uma moto-serra. Como vez, muitas coisas. E tenho de te agradecer por ter sido, acima de tudo, um ano com saúde. Foi sem dúvida melhor que os dois anteriores e estou muito grata. Mesmo.
Meu amigo Pai Natal, a quinta lá vai indo, com as mesmas ovelhas e os mesmos cavalos. Volta e meia estragam-se as janelas, ou os estores, mas nada que já não estejamos habituados. Agora, podias mesmo era dar um jeitinho nas campainhas...é que na sala 3, quando se respira, aquilo toca. é de doidos; e depois uma pessoa vai a correr já com o coração nas mãos, e está tudo descansadinho a ler revistas. Isto faz mal ao coração, podes acreditar, e não há becel que valha. Então de noite, parece que estamos a ser electrocutados quando aquilo toca. E ao que parece, já foi arranjado, mas olha, está igual. Felizmente não faço muitas noites, que aquilo faz-me emagrecer. E já que falo nisso, obrigado por teres melhorado os nossos horários. Parece que agora conseguimos mesmo ter 2 dias fora dali, ás vezes até mais. Estamos muito agradecidos.
Não querendo parecer egoísta, podias telefonar para a "ideia casa" e pedir-lhe que criassem uns cadeirões ortopédicos que eles estão sempre a dizer que aquilo faz milagres, que ficamos como novos. Era assim um miminho que podias fazer aqui ao povo. De resto, não me ocorre mais nada que tenha mesmo de pedir-te, embora fique com a sensação que para o ano me vou lembrar de algumas coisas. Eles dizem que vai ser uma crise a sério. E eu penso se até aqui foi só a brincar e secalhar até foi. Mas eu juro que me pareceu ouvir o sr. Manuel Pinho aqui há uns tempos dizer que a crise tinha acabado, agora não percebi se ele estava a falar do povo ou do casamento dele. Não sei.
Bom, e termino por aqui. Espero que te lembres sempre da gincolandia e aproveito para desejar um Feliz Natal para todos nós.
ps: não te esqueças de por o dedo dia 24.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Flatos

A flatulência é um assunto muito sério. Acho que já me tinha esquecido de quão sério era, até ter feito tarde. Quando se tem meia dúzia de clientes e dessa meia dúzia, duas conseguirem ocupar 7h do nosso tempo, quase em full-time, começamos a pensar que é um assunto sério. E misterioso. E curioso também, porque os flatos querem proximidade, de outro modo não consigo explicar porque tal situação me ocorreu com duas clientes lado a lado na cama. Eu sei que não fui eu que transmiti, não foi uma infecção cruzada, porque agora ando sempre a esfregar as mãos no promanum, como manda a lei, a modos que um dia destes as minhas mãos serão mais brancas que a farda. Ainda assim, gosto do cheiro daquilo (do promanum, atenção). Bem sei que alguns detestam, mas isto é como o ar condicionado, do qual sou realmente fã, porque nessa tarde ajudou-me a refrescar a cabeça de peixe balão com que já estava. A flatulência é uma coisa muito séria também quando os resguardos tem supercola 3, a modos que é difícil os rabos sairem da cama para uma passeata. E foi sempre a dar-lhe. Sondas rectais, estimulação rectal, analgesia, pancreatina, massagem e nada, nicles. Foi todo o santo turno na labuta e nada resultou. Aceitam-se sugestões.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
A aventura de irrigar o intestino

17h45m de uma tarde qualquer, das recentes. Depois de tensões, temperaturas, vigilâncias, dúvidas esclarecidas, medicação preparada e depois de um bom pão da mealhada na torradeira a acompanhar um cházinho, preparo-me para irrigar 2 intestinos, um de cada vez, é certo. Tenho tudo supostamente controlado e penso e desejo não ser interrompida por nada, para que tudo bata certo e seja um turno tranquilo. Vai o sorinho a aquecer, a cliente decide que tem de ir urinar primeiro. Muito bem, aguardamos, embora não consiga deixar de me interrogar a razão pela qual sempre que informo que vou realizar um enema, logo as mulheres ficam com vontade de urinar. Tantas horas no quarto a ler revistas e tem de ser exactamente naquela hora que vão urinar. Adiante. Faço a montagem do material. Ainda não consegui descobrir como se colocam 2 microlax naqueles frascos de soro, que mais parecem caixas forte. É impossível furar aquilo. Fico na dúvida. O que fazer? Concluo que terão se ser colocados á parte daquele frasquinho á prova de tesoura. Posiciona-se a cliente, esclarece-se o procedimento, tranquiliza-se. Passo seguinte - adaptar a sonda rectal ao sistema de perfusão! Mas que raio...estarei a usar mal as minhas hábeis mãos ou é mesmo difícil encaixar a cena? Tento e tento e tento e faço tanta força que se me escorregam os dedos e não sei como fico trilhada, com a marca daquele círculo azul cravada na minha tenra pele. Começo a transpirar e na euforia do momento eis que me vem uma ou outra palavra do calão português, daquelas muito atreitas a sair quando a gente se magoa sem estar minimamente á espera. Controlo-me. Olho para o lado e vejo o rabo á espera. Volto a tentar encaixar a cena. Lá consigo, com muito esforço e tentativas Zen para me acalmar. Lubrificante e tal. Aventura seguinte - encontrar onde colocar a sonda. Mais um pouco, nádega para aqui e para ali. Finalmente! Dentro de 10m está concluído. E só faltará um. Que me corra melhor na parte técnica é o que desejo. Muito haveria ainda por dizer, mas estou certa de que compreendeis bem o âmago desta aventura. A quem nunca aconteceu, que atire a primeira pedra? (mas com cuidado, para eu não me magoar sem estar á espera...:-)
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domingo, 9 de maio de 2010
Capitães de Abril e Noites de Mer...

Bom, faz já muito tempo que não despejo aqui as emoções-bacorada que me vão na alma. Tanta coisa aconteceu nos entretantos... Ficamos sem capitão de bordo, nós, que eramos os "marines" da enfermagem, tropa de elite, capacetes azuis, o que convier melhor ao leitor. Mas lá vamos navegando, continuando a pescar conforme fomos treinados para. Neste compasso de espera, inquieta-me saber como anda tanta gente extra marines, a especular sobre quem será o nosso próximo capitão. Não percebo porque andam tantas almas amarguradas com isto. Será a velha questão do, como dizer...poleiro livre? Seja qual for a razão, eu sinceramente não percebo. Não deveriamos ser nós, os abandonados, a ter essa inquietação? Pois, o mundo rege-se por regras que eu não entendo. Aliás, aqui há uns tempos, se a memória não me falha (que hoje fiz noite e ela anda a carvão), até havia quem soubesse quem era o tal capitão e se comportasse como se fosse dono de um grande segredo. Cá para mim, anda tudo maluco. E estranho estranho, é ainda saber que gente há que afirma ter pena deste abandono, mas anda com um sorriso de júbilo contínuo sempre que enverga a farda azul. Sabeis pois, a quem me refiro - classe que recentemente mudou de nome.
Posto isto, resta-me apenas dizer que não gosto de fazer noites quando são más. Como hoje. Não gosto de me ver sem paciência a partir das 3h. Entro em transe. Não gosto do zumbido das campainhas sempre a apitar (ainda não percebi porque não vibram...era bem melhor. ás vezes, quando elas tocam, dou cada salto que não sei se estou na tropa ou no manicómio). Gostava muito que as campainhas apitassem na classe de farda azul. E adorava que apitassem tão alto que se ouvisse no 407. Não gosto de noites chatas. Não gosto de ter de comer a ceia toda. É mau sinal. Não gosto quando me pedem microlax ás 6h da matina. Não gosto de sair de casa á noite. Não gosto.
Bem haja pelo vosso tempo a ler estas besteiras.
The land of the crikes
sábado, 30 de janeiro de 2010
20.000 Enfermeiros na capital
A Sra Ministra prescreveu-nos bom senso e nós, Enfermeiros que somos, "cumprimos" esta prescrição e fomos lutar pelos nossos Direitos!!!
- Mas porque é que os Enfermeiros estão em Luta? PORQUÊ?
- Porque é que os Enfermeiros são os únicos licenciados do País que não ganham como licenciados? PORQUÊ?
- Porque é que quando os Enfermeiros (que muitos dizem trabalharem pouco) fazem greve, os serviços de Saúde param? PORQUÊ?
- Porque estão os Enfermeiros na rua? PORQUÊ?
PORQUÊ???
- Mas porque é que os Enfermeiros estão em Luta? PORQUÊ?
- Porque é que os Enfermeiros são os únicos licenciados do País que não ganham como licenciados? PORQUÊ?
- Porque é que quando os Enfermeiros (que muitos dizem trabalharem pouco) fazem greve, os serviços de Saúde param? PORQUÊ?
- Porque estão os Enfermeiros na rua? PORQUÊ?
PORQUÊ???

Pela Valorização profissional e Justica social
Pelo Reconhecimento como licenciados que somos
Pela Igualdade de Direitos
Nós, Enfermeiros Portugueses estamos em luta!
No dia 29 Janeiro 2010, fomos 20.000 Enfermeiros a marchar em Lisboa, e a Ginecolândia também esteve presente!
Caros colegas, leiam isto, comentem e divulguem:
www.ocentrosocial.wordpress.com/2010/01/28/protesto-dos-enfermeiros-uma-questão-de-injustiça/
Obrigado, Sra Ministra! Com o seu bom senso conseguiu unir os Enfermeiros deste País!E prometemos-lhe Continuidade de Cuidados: na Próxima Greve/Manif estaremos lá.
No turno de Speedy Gonzales
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A casa de banho dos vestiários

Meus amigos, hoje vim fazer noite e, após vestir a minha fardinha, por sinal bastante larga no pescoço, e depois de enfiar o material de bolso (sim, porque agora temos de tirar tudinho antes de despir a farda já que ela sai pela cabeça e feliz de quem tem a cabeça pequena que nós no fim do turno saimos com ela tão inchada...) deu-me para mictar. Verdade. Senti mesmo vontade de mictar. E pior sorte não me poderia ter calhado. Dirijo-me ao WC dos vestiários e eis o cenário:
- 1º dilema: fechar a porta. Se fecho a porta não tenho luz, se deixo a porta aberta posso ter audiência enquanto urino, ou na pior das hipóteses, enquanto me limpo. Optei por fechar a porta, mas antes decorei bem as medidas ao buraco, não fosse acertar no tampo.
-1ª constatação: Afinal a sanita não tem tampo. O tampo encontra-se atrás da sanita, no chão e eu não sei porquê. Reparo que está no chão porque vou seguindo com os olhos o trilho da ferrugem e das rachas na parede e questiono-me sobre a higiene, acreditando piamente que é mesmo tudo ferrugem. Adiante.
-2º dilema: Trancar a porta. Onde está a coisinha que passa de verde a vermelho? Não está. É sempre bom. Enquanto urino ouço a porta do vestiário abrir-se e passos na direcção do WC. Penso: será que vem para aqui? Não consigo agora travar o chichi a meio caraças. E tenho uma micção ansiosa e começo a ficar cansada das pernas por estar a segurar-me na posição estremamente sexy que as senhoras são obrigadas a adoptar para "mijar". Mundo injusto. Felizmente ninguém abriu a porta. Ufa.
-2ª constatação: Enquanto lavo as mãos questiono-me acerca da necessidade de haver um toalheiro, uma vez que está sempre aberto e temos de o "consertar" para poder tirar papel.
-3ª constatação: na procura dos pequenos "quês" que fazem uma Instituição ser referência, tento aferir sobre a assiduidade da limpeza do referido sanitário. De facto, existe lá o placard em fibra, mas nenhum papelinho que ateste quando foi a última vez que o WC sofreu de higienização.
E foi esta a saga do meu princípio de noite.
Acham que devo...sei lá...enviar umas fotos ao "Nós por cá"?
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Os seres humanos são...

Tenho tido alguma dificuldade em compreender os seres humanos, chiça. Hoje deparei-me com tal facto novamente. Cena: estamos no serviço, temos uma cliente submetida a uma grande cirurgia, os familiares rodeiam-na, disparando perguntas á senhora e fazendo barulho. Intervimos, apelamos ao silêncio e fazemos ver os benefícios para a utente de repousar neste período pós-cirúrgico. Conclusão da cena: respondem com agressividade, rispidez e até má educação.
RRRRRRRRRRRR.....dá vontade ás vezes de ser insensível ás necessidades do outro. Mas...se somos, podemos ser penalizados, se não somos, respondem mal, e se contrapomos a resposta, ainda podemos ser alvo de...sei lá, um processo ou um queixa ou o diabo que o leve.
Epá, engalfinhem-se para aí todos com barulho. Raios.
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enfermeiros de rastos
sábado, 9 de janeiro de 2010
Factos sobre os elefantes, por Stanley Bing

"O elefante detesta ficar sem fazer nada, a não ser que chame a essa ocorrência uma reunião. O elefante joga pelas regras que ele próprio concebeu, mesmo que essas regras não façam sentido para mais ninguém. Os elefantes vêem muita coisa."
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do livro: Lançar o elefante
sábado, 19 de dezembro de 2009
Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal:
Este ano portei-me como o costume, uns dias bem, outros ainda melhor. Tenho aguentado os turnos todos, procurando sempre estar Zen, sorrindo, imaginando a paciência a entrar pela minha cabeça e a percorrer todas as minhas células. Não enjoei nos transportes e consegui virar a maca sem bater em nada. Isto de ter mais experiência dita a sabedoria. Sabes, acho uma pena realmente já não haver maqueiros. É estranho porque de facto, as coisas nunca são da responsabilidade de ninguém ("ah e tal, isso não é da minha competência") mas eu não me lembro de ter tido aulas de condução defensiva com passageiro a bordo durante o curso. Devo estar a precisar de umas vitaminas. Adiante, como eu ía a dizer, portei-me bem, não caiu ninguém de noite, e acho que estive á altura naqueles imbróglios que tu sabes e vê lá tu que agora até conseguimos ter mais doentes do que camas. Isto é que é produção, só que não é adicional, ou seja, não há adição de euros ás contas de certas pessoas para fazerem o seu trabalho. Adiante, como eu ía a dizer, consegui ainda aguentar o cheiro da casa de banho do ambulatório. É verdade, consegui mesmo! Perdoa-me o orgulho, acho que tenho direito de te fazer uns pedidos para o ano que vem, agora que gozamos da época natalícia do amor e do nascimento. Aqui vai:
-Peço-te que me ilumines na altura de fazer o meu RCA, e que num momento de inspiração, me recorde de tudo o que fiz nos últimos três anos que eu já nem com as vitaminas vou lá. Ah, e também te peço ajuda para que flua na minha cabeça tudo aquilo que não fiz e devia ter feito, que assim também crio o projecto profissional para 2010.
- Peço-te que me dês duas folgas a seguir á noite, e que as noites sejam equilibradinhas, tipo uma por semana ou assim.
- Peço-te que quando precise de uma troca, consiga alguém no horário capaz de a fazer.
E por último, e mais importante do que tudo isto, peço-te saúde para que possa continuar a trabalhar e a escrever neste blog. Estende estes meus pedidos a todos os meus colegas, porque sem eles aqui na ginecolandia isto não seria fácil.
Feliz Natal.
The land of the crikes.
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